Tony Atkinson (1944-2017) e os estudos sobre desigualdades – Parte 1

220px-tony_atkinson_-_festival_economia_2015O ano de 2017 iniciou mal, para os estudiosos das desigualdades. Já no dia 1 de janeiro, faleceu Anthony Atkinson, um dos pais fundadores dos modernos estudos de distribuição de renda. Devo dizer que fiquei realmente triste com a notícia — que me chegou através de um tweet de Branko Milanovic.

Em seu blog no Le Monde, Thomas Piketty, seu ex-aluno, publicou um respeitoso obituário, enfatizando o pioneirismo de Atkinson no estudo das tendências de longo prazo da concentração de renda entre os mais ricos (top incomes).

Mas fato é que Atkinson fez muito mais que isso — e julgo que sua principal contribuição aos estudos de desigualdade nem mesmo seja esta… Com um artigo intitulado On the measurement of inequality, publicado em  1970, ele assentou bases conceituais e metodológicas para a interpretação das tendências e índices de desigualdades.

É verdade que o campo de estudos sobre a concentração de rendimentos já vinha se formando desde o século XIX, com a obra de Vilfredo Pareto, teve importante inflexão com Hugh Dalton (em especial devido ao seu artigo de 1920) e recebeu muita atenção depois de Simon Kuznets (principalmente por causa de sua hipótese do “U invertido”, que apareceu em trabalho de 1955). Mas é apenas com Atkinson que as desigualdades de renda e seu significado empírico se tornam de fato um campo de estudos em si mesmo.

E é sobre seu texto seminal, de 1970, que vou tratar nesta série de posts que se inicia. Na realidade, trata-se de um pequeno curso de introdução à mensuração das desigualdades, para que seja possível compreender o trabalho de Atkinson propriamente.  Vejo vocês no próximo post.