Statistics – Emir Sader Style

Estou completamente de acordo com Carlos Cinelli.

Um erro típico do senso comum é o profundo desconhecimento dos procedimentos de amostragem.

Uma amostra aleatória bem feita consegue representar muito bem uma população de “tamanho infinito” com apenas 2000 casos. Mas para que a pesquisa toda seja bem feita, ainda temos que pensar sobre a qualidade do questionário, dos aplicadores, da logística, das análises etc… Amostra não é tudo.

Ou seja: não é o número de casos que faz das pesquisas do DataFolha (ou de qualquer outro instituto) boas ou ruins. Com 2884 entrevistas, se tudo mais tiver qualidade, não haveria qualquer problema com as inferências.

É uma lástima que Emir Sader não saiba disso.

E só pra reforçar o que disse Carlos Cinelli, “a [pesquisa do] DataFolha não precisa estar certa para o Emir estar errado”.

Análise Real

Aparentemente Emir Sader não estudou amostragem estatística.

936686_10152454432138101_1668728040391228267_n

Note que a DataFolha não precisa estar certa para o Emir estar errado. Pois se, por acaso, a pesquisa não reflete satisfatoriamente a população, certamente não será por causa do tamanho amostral (2884 pessoas)!

Semelhantes: Statistics – Fox Style , Statistics – Gobo News Style e Statistics – Venezuela Style.

 Dica do Guilherme Duarte via Radamés Marques.

Ver o post original

6 respostas em “Statistics – Emir Sader Style

    • Não consegui abrir o link que você mandou… pode mandar de novo?

      Mas é no mínimo suspeita uma pesquisa de 30 mil casos que se faz em um dia só… É pouquíssimo provável que se aplique uma amostra aleatória num período tão curto.

  1. Definitivamente Sader não conhece o teorema de limite central nem consultou um manual de estatística básica antes de disparar aquilo. Agora, 2800 entrevistas leva à uma margem de erro de 2%, logo um intervalo de incertezas de 4%. Contudo, isso diz respeito ao erro aleatório do desenho da pesquisa (observar uma amostra ao invés da população), isso não significa que uma enxurada de outras pragas não possa estar afetando a mensuração. Por fim, há que se considerar o lado da oferta, existem tipos pessoas que são mais abertas à participar, participam nas igrejas, clubes, e em escolas. Estas podem ser mais dispostas à responder um suvey do que uma pessoa com aversão a riscos, por exemplo. Abaixo coloco um gráfico repróduzível em R que poderá ajudar Sader a entender o porquê uma amostra razoável permite extrapolar para uma população, depois de ~ 1200 a variação aleatória se estabiliza.

    sample.max <- 5000
    sample.sizes <- seq(1, sample.max, by=5)

    fun <- function (x){
    var(sample(1:20, x, replace=TRUE))
    }
    variances <- sapply(sample.sizes, fun)
    plot(sample.sizes, variances, t='l')

  2. Para mim isso é sinal de que não sabe nada de Ciências Sociais! Só não sei se a afirmativa dele é realmente verídica. A internet divulga muita coisa que não é verdadeira. Se ele realmente disse essa frase deve ser porque está fazendo política. Não há qualquer autoridade de cientista social numa afirmação desta ordem.

  3. Pingback: A representatividade das pesquisas de opinião | Blog Pra falar de coisas

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s